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Imagine que você não seja mais
capaz de ser ouvido ou visto por ninguém. E que você tenha pela frente a perspectiva de uma eternidade sem a capacidade de
agir.
Tudo isso foi imaginado por Daniela Abade no romance Depois que Acabou, a
narrativa de oito anos da não-vida de Carla de Souza Almeida. O livro é escrito
em primeira pessoa – é Carla quem conversa com o leitor e compartilha suas
angústias, tristezas, paixões e diversos erros. Tudo isso, depois de sua morte.
O romance, que poderia cair na armadilha de uma obra espiritualista, mantém
sabiamente distância desse estilo, aliás trilha um caminho absolutamente oposto. É
uma metáfora sobre a solidão. É uma história de um ser humano numa situação
limite. É uma teoria angustiante. E um livro de uma originalidade ímpar. |